~* 21 Dias, Em Memória de Tua Essência *~

~”…O vento, ‘em meio a chuva’, pode desmanchar algumas flores…, mas, pode também levar sementes boas, para outros solos…”(*A.M. Borboleta*)~^w^~

~ Vinte e um dias sem tua voz rouca, declamando em meus ouvidos as tuas eloquências loucas, me acomete às angústias da penumbra que se tornou o nosso refúgio, com o vazio de tua presença, principalmente, quando ainda encontro o teu lenço pendurado no cabide do guarda-roupa… O violão, que dedilhávamos à quatro mãos, repousa solene na sala, tornando-se solidário do silêncio e coberto por um, fino e delicado, pó, chorando por tua ausência, na lembrança de algumas das nossas canções, e sente o frio dolente, do mesmo jeito em que a chuva não para de inundar de saudades o meu coração(…) Tantas lindas e envolventes vivências tenho para recordar de nós dois que, ao tentar fazer uma limpeza neste nosso lugar (pelo menos, tirar o pó que se acumulou na mobília), tenho medo da sensação de perder a tua essência que está ainda pelo ar, quando me invade a lembrança de nossas danças após um especial jantar, regados e inebriados com o Elixir de Rosas, enquanto o Yes e o Jon Anderson, no vinil, nos convidavam para atravessarmos “Os Portões do Delírio”, alquimizados pelas chamas das velas que conosco também sabiam bailar; a lembrança de tua coragem, quando eu, sagitariano indecente (cheio de escorpiões dominando a minha astrologia planetária e ascendente), te pegava pela “juba de leonina dengosa” e te sequestrava em direção ao leito, para me deixar envolver por teus cachos e tuas longas e bem torneadas pernas, sendo conduzido ao teu intimo por tuas imensas e fortes, porém delicadas, mãos, na intenção de um colóquio filosófico que se mesclava ao êxtase de tua feminilidade, ardente, tremida, insaciável e voraz, com a materialidade de meu falo ereto, sem medo do orgasmo nas entranhas de nossos ensandecido gritos e indecifráveis dialetos imorais… Também não tenho a coragem de tirar a lembrança de algumas coisas que ficaram quebradas, quando precisavas sair correndo, derrubando qualquer coisa que lhe impedia de passar, ao escutar algumas de tuas crianças, lá no térreo, brigando entre elas, só para verem a “leoa braba” de volta em casa, apaziguando e disciplinando o núcleo familiar(…) Sim, o apaziguamento e a disciplina eram os nossos pilares de equilíbrio, tanto em teus, atarefados e requisitados, compromissos, quanto em minhas vivências de “milico”… Entretanto, eram as insanidades de nossa amigável cumplicidade que faziam o contrapondo de nossos públicos encontros, em meio a sociedade que vigiava “os lampejos” e “as faíscas” de nossos olhares, fazendo com que, os indagadores de plantão nos questionassem, “à queima roupa” ( “por pura inveja”, como dizia “J” e os mais íntimos amigos ), o perigo da liberdade de nossas vidas duplas, mantidas “nas quatro linhas” das arenas de nossos destinos e nos sigilos de nossos íntimos sonhos, sonhados, descaradamente, sem medo de vivê-los entre o posto 9 e a Lagoa, no trajeto em que os castelos de areia que erguemos, com as minhas e as tuas crianças, ainda podem ser vislumbrados quando o Sol se põe nos Dois Irmãos(…) E, no momento em que aceito o convite de algo invisível que paira no ar, me lanço ao mergulho em uma noite de luar, na qual as tuas cinzas se misturaram às areias do sonhar, “materilizando-te” em minha miragem de saudade e paixão, em uma eterna visão de teus “vôos sobre os mortais”, ao mesmo tempo em que desejo perder a respiração, assim como aconteceu contigo, e afundar entre as ondas, seguindo o timbre, inesquecível, de tua voz rouca (do mesmo modo em que, eu escutava e seguia os teus amorosos e amigáveis conselhos, ao telefone) que me convida, nesta utopia delirante da falta de ti, igualmente a uma perigosa felina e encantadora sereia, ao esquecimento do corpo físico e entregar o meu espírito às correntezas oceânicas da Sagrada e Sublime Dimensão do *além amar*(…) Eu sei…, você sabe…, nós sabemos…, os mais íntimos sabiam… e, agora, depois de minhas lágrimas em teu velório, muitos também já sabem…, o quanto eu vivi os “nossos jogos” de delírios extremos… No momento, porém, eu tenho uma faxina para fazer nesse nosso *refúgio de prazer*…, mas manterei este pó, delicado e fino, sobre o violão…, no qual, guardei um punhado de tuas cinzas, para me recordar de tua voz de *coelha rouca*, cantarolando entre os acordes de nossa canção louca, e me acordando, pela manhã, com um beijo de hortelã em minha boca(…) Está difícil…, e, nesses 21 dias, “a ficha ainda não caiu”, para “completar a ligação” desta incompreensão de tua partida, tão repentina, transformando dor em aceitação…, e a fila atrás de mim, neste “telefone público”, sobrevivendo de outras emoções, já dobrou o quarteirão…, enquanto a Comlurb, tentando um desvio na contramão, em meio a chuva que não cessa, buzina estridente nesta luta urbana que não dá trégua…, despertando-me das visões que eu busco por entre as gotas que escorrem na vidraça da janela, colocando-me na realidade extrema da vida corpórea da terra, ao mesmo tempo em que aprecio, no “chuvarado jardim”, as nuances de um contraste que me lebram que certas essências tornam-se *ETERnas* e não têm fim… Preciso ter forças…, pois estou ficando velho… E, se não for pedir muito, dá aquela cortada indefensável, na minha jugular…, me faz queimar até às cinzas, para que o vento, bem longe, possa me arrebatar…, e, me ‘e’leva além das redes do mundo, para que eu me regenere e repouse, definitivamente, em um *SAGRADO e MERECIDO LugAR*… Para sempre, *Teu Rato*…~^w^~ W.E.Brüeckner ~ Copyright ©Dezembro2022.wemb777™ – (*Vídeo Restrito) ~Todos os Direitos Reservados. ~ #21Dias #EmMemóriadeCoelha #HomenagemÀTuaDoceEssência #TributoÀLiberdade #OsPortõesDoDelírio #NossoRefúgio #RJJSeabra ~☆~ https://youtu.be/BfvJonakVNo & https://youtu.be/-cjtjzXDUZc ~☆~

Publicado por wemb777

~...'H'á penas, um "menino alado" que vive de *inVENTOS, inVERSOS*..., graduado em *Tanatologia do Vôo* (Nível 3), e vivenciando a salutar *Literoterapia*, para aprender, com a *Sábia Impermanência*, que tudo pode ser transmutado, sendo possível retornar ao ÉTERno *L*ugar de *A*mparo e *R*efúgio, flutuando no céu da inspirAÇÃO ...~^w^~ W.E.Brüeckner ~

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora